aos bons de coração, desejo os mais puros sentimentos; aos cruéis, hipócritas e baixos, só o meu desprezo.
sem mais....
pensamentos do ser renatiano
13 maio 2010 às 13:01 Postado por Renatiano
o tempo corre como água que segue o curso do rio. e tá se esvaindo pelas mãos também. olho lá pro horizonte nas alturas da cidade e penso que tudo 'ta indo'. será que se ajeita?
textos jogados na mesa, anotações em grafite no papel branco, uma pequena pilha de livros com assuntos diversos, corpo um pouco dolorido, pensamento em estudos e viagens!
segue o curso vida.
Fernando Pessoa
03 maio 2010 às 11:35 Postado por Renatiano
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão
Sentindo o dia como outro dia. Sentindo o sol sem muita força. Sentindo o dia quieto, como a tarde de outono deve ser. Sentindo a mesma canção, tocando na vitrola repetidas vezes. Sentindo o aroma do café, recém preparado em eras audaciosas. Sentindo pessoas caminhando lá na rua. Sentindo o barulho lá de fora, o mexer da cidade, o tempo passar, a terra girar, o medo pairar, a estafa chegar. Sentindo-se perdido nas alturas da cidade.
E na 25 tem de tudo
15 abril 2010 às 18:44 Postado por Renatiano
E na 25 tem de tudo. Tem o entregador de marmita, tem a dona de casa, tem sacoleiro, tem PM, tem o rapa, tem gente, muita gente. Tem bugiganga, tem camelô, tem gente esbarrando em você, tem apito, coisas passando pela sua cabeça, tem coisas, muitas coisas; tem eletrônicos, tem relógios, tem falsetas, tem bijuterias, tem fantasias, tem brinquedos, tem tecidos, tem mais falsetas, tem pirataria, tem muito taliban, tem china, taiwan, sotaques, e gente de fora; da cidade, do estado, do país. Na 25 tem de tudo mesmo. Mas tem muito chinês, de cabelos escovados, pintados, ocidentalizados, com celulares made in china e roupa de quase grife. E na 25 tem de tudo mesmo. Mas o que mais tem é o retrato de um povo que não deve passar muito bem lá do outro lado do mundo e se apronta em arranjar um stand por aqui. E trata de fazer filho, muito filho e manter a fama de rua de comércio onde se encontra tudo em bastante quantidade. Tem criança, de olho puxado, prestando atenção no estrangeiro. Tem calor, de gente e de clima, e bebês dormindo em carrinhos e cadeiras de praia pelos corredores de um, assim nomeado, shoping enquanto os pais batem aquela marmita no próprio box, entre as muitas coisas que a 25 tem. E na 25 tem de tudo mesmo.
Isso é tão renatiano
18 março 2010 às 13:35 Postado por Renatiano
Um tanto assim, buscando outros caminhos, percorrendo o mundo num balão de gás sem fim que passa entre as nuvens. Contemplando o dia cair, a noite reinar e as estrelas brindarem à Lua, deixando as portas do Universo se abrirem e o homem ao Infinito se juntar. Sobe balão, mostra pra mim o mundo, assim como ele é; pequeno diante da Imensidão do espaço que persiste em nos rodear.
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A Senhora
16 março 2010 às 11:37 Postado por Renatiano
Estava eu lá, com aquela empolgação típica de um garoto de seus 20 anos, conversando e planejando o que eu achava ser o melhor para o meu futuro. Sentado numa mesinha de café, com um suco de côco à frente e aquela descontração típica de quem esta papeando com amiga de longa data. O Sol lá fora era intenso e a tarde teimava em se sustentar na cidade do interior. Das 6 mesas do local, além da minha, apenas mais uma estava ocupada e só havia mais uma ou duas pessoas sentadas direto no balcão. Eis que surge uma senhora, de feição tranquila e corpo levemente arqueado em seu vestido vermelho. Não reparei em seus sapatos, mas provavelmente deviam combinar com sua roupa distinta. Era morena, cabelos presos e pintados. Não era uma mulher idosa, mas daquelas que a convenção permite que se chame de senhora. Ela entrou acompanhada. Não consigo me lembrar se por homem, mulher ou criança. Mas da senhora me lembro bem. Entrou primeiro, abriu um largo sorriso para a mocinha do caixa.
Minha mesa ficava bem em direção à porta. Daquelas que te deixam no meio do salão e, de certa forma, até um tanto desprotegido no ambiente. Sempre que ia naquele café, pegava a mesa do canto direito, encostada junto a uma janela de vidro, semelhante a uma vitrine, que permitia olhar a rua e quem passasse por ela. Não sei explicar por que naquele dia a mesa do centro pareceu atraente aos meus olhos e aos de minha amiga.
O fato é que estavamos lá. E logo depois do sorriso à mocinha do caixa, a primeira pessoa que a senhora poderia ver era eu. E assim foi. Retribui o sorriso e continuei minha conversa.
A senhora passou por mim. Conversava com uma funcionária. Essas conversas triviais, acredito, sobre o tempo, o calor ou qualquer coisa do gênero. Fez o seu pedido. Olhou o salão e novamente olhou para mim. Dessa vez não sorri ou esbocei nenhuma expressão. Nossos olhares mal se encontraram.
A senhora no seu vestido vermelho veio em minha direção. Deu poucos passos e parou exatamente na minha frente. Pediu desculpas por interromper a minha conversa. Naquele momento parei, olhei para a senhora que me pedia isso com um largo sorriso. Seus olhos estavam fixos nos meus. “Você é muito bonito garoto; você trabalha com televisão?” “Sou ator, mas nunca fiz tv”, respondi. “Ah, que sorriso lindo você tem. Parabéns. Muito bonito mesmo”
Agradeci o elogio. A senhora foi sentar-se no mesmo lugar que eu sempre escolhia. Continuei minha conversa, agora pensando na simpatia da senhora.
